Não resisti. Confesso.
Ela me veio meio sem jeito, perguntando de “lado”, fazendo rodeio… ficou com a voz engasgada, gaguejou e no fim apenas murmurou.
Nitidamente ela estava pesada, carregada, inchada, daria para ela – naquele momento – uns 413 quilos.
Estava na cara que vinha bomba por aí então só esperei… e depois de muito ela finalmente despejou. E assim como uma lágrima pode pesar uma tonelada e ainda caber em um olho, senti todo o peso da consciência.
Não resisti ao que foi despejado por ela a mim e como o entendimento tendia para ser comparado a um “pecado” foi inevitável minha intervenção, meus conselhos.
Suavemente fui explicando que “formataram a mentira” e às vezes, mesmo sem querer, caímos em ciladas tão simples quanto as do Coiote. E assim como esse caçador que nunca saciou sua fome com o possível suculento e saboroso “Papa-Léguas”, nunca entenderemos todos os parâmetros que compõem a estrutura do entendimento.
Perguntei a ela o que é errar e ela respondeu dizendo que errar é se sentir culpado. Perguntei o que é culpa e ela respondeu que culpa é algo que assumimos.
- Pensemos juntos. – disse a ela e continuei – assumir uma culpa não é errar. O maior erro seria não assumirmos que podemos um dia ter culpa. Agora… você não pode em hipótese alguma atormentar-se e ressentir-se. Não é nada agradável. Ainda mais quando sua função é orientar o comportamento do seu portador e não perturba-lo.
Todos nós somos hospedeiros dessa danada, fale com ela. Eu falaria!


