Senso (in)Comum (…)

agosto 7, 2008

Crise de Identidade

Filed under: Ótica,Fragmento — Netto @ 7:39 am
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Que droga… ela me viu!
Vai ficar muito na cara se eu atravessar a rua e nem vai dar tempo, se eu fizer isso, para não pegar mal.
Tá bom, vou me manter na calçada e fingir que não a vejo, talvez ela se “toque” e perceba a minha intenção…

Não deu certo…

Ela continuou me olhando e eu continuei caminhando, me encarou severamente e pouco depois de passá-la meu braço é fortemente puxado, castigado e sem pestanejar ela me lança…

– Estou atrás de você, sabia!? Te procuro há muito tempo…

Tentei ser canastrão.

– Haa… então foi você que me ligou e foi lá em casa, não é!?

– Sim. – ela respondeu e continuou – Estive em todos os lugares que você pode imaginar, sei muito sobre você e não entendo… corre tanto por quê? O que teme? O que deve?

Fiquei meio sem jeito nesse momento, e como o papo me pareceu ir longe sinalizei para um banco de uma bonita praça perto dali, pelo menos não ia me cansar em pé.

– Já sei! Você quer que a aceite?

Só me deu tempo de dizer isso, pois ela, quase imediatamente e sem respirar continuou.

– Sabe de uma coisa? Eu posso mudar! Posso trocar de roupa, de corte de cabelo, de emprego, de universidade… posso alterar minha fala, meus passos, minha pele… posso recriar o que ainda não foi criado. Posso, para você, ser Deus…

Respirei fundo, senti nesse momento que me inclinava cada vez mais e a cada palavra que aos poucos ela me dizia sentia minha carne sendo dilacerada…

– Só não posso deixar de te ver todos os dias – disse ela mais calma e com a voz mais doce do mundo – de te sentir, de olhar você, de te contemplar… de estar com você em todos os momentos, em todas as estações, seja dia ou noite, dor ou alegria, fé ou dúvida. Em tudo, em tudo mesmo… não posso deixar de ser SUA.

Não teve jeito… dizem que Jesus chorou, mas ali, naquele momento, isso não era mais necessário. Parecia, “Eu”, acordar de um sonho, de um sonho vazio, de devaneios de um mundo do “Eu” sozinho.

Peguei nas mãos dela, nós nos levantamos e eu sem pensar me lancei naqueles braços que já há muito tempo estavam estendidos para mim… Eu, depois de muito tempo anestesiado pelo dia-a-dia, depois de tanta rotina e tanta “mesmice” senti o calor daqueles braços e durante um longo tempo abracei a VIDA, a minha vida, que quase sem querer me distanciava, me desprendia, mas ela é a única coisa que realmente “Eu” tenho!

Descobria, alí, que eu sou a obra-prima da minha vida.

Não deixe você que ela te crie.
Faça você o seu caminho.
Não espere ter sorte, crie as circunstâncias necessárias para ter o que o for necessário para moldar sua VIDA.

Se achou que era sobre romance não estava enganado, ame o que tem e faça sempre o melhor que puder fazer.

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1 Comentário »

  1. fenomenal!!!

    Comentário por lorduakiti — março 2, 2009 @ 5:17 pm | Responder


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