Senso (in)Comum (…)

setembro 12, 2008

Vagas… Telemarketing

Filed under: Ótica — Netto @ 8:44 am
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Na sombra de uma solução há um “bote” mortal.

Digo dos subempregos, mas para dizer a verdade falo do mais cruel de todos, o telemarketing. Alguns afirmam que essa profissão não é, nem mesmo, um subemprego.

Resolvi assumir um prisma sobre o assunto depois de ver um “gestor” de CallCenter (lugar onde se amontoam os atendentes de telemarketing), não saber o que falar em um programa de rádio, ao vivo, para defender a classe, explicar o que fazem, quem atua etc.

Marilene Felinto, jornalista e escritora, certa vez escreveu o seguinte: “É para o crime e para o telemarketing que mais se perdem jovens (…)”. Parece forte demais e pode nos causar uma estranheza muito grande essa afirmação, não é!? Mas a considero a mais próxima de nossa realidade.

No texto, que continua, Marilene traça alguns paralelos que nos fazem pensar que a “salvação” de um emprego e a esperança de uma vida melhor para os menos favorecidos, digo os cidadãos à margem da sociedade, pobres, é encontrada na escravidão dessas centrais de atendimento.

“Perder-se”, ela explica, “significa sair do rumo mesmo, abandonar os projetos em que estavam envolvidos e dos quais tinham algum apoio para continuar os estudos e cavar um lugar menos pior do que o subemprego.”

Os jovens que caem na criminalidade (roubo, homicídio, uso e trafico de drogas etc), podem ser enquadrados num fenômeno “normal”, infelizmente, no contexto de pobreza urbana visualizado por Felinto e que concordo totalmente. Mas ver esses mesmos jovens presos em correntes (head), colocados em celas (PA’s), com banho de sol (folga) uma vez por semana – às vezes, pois há relatos de escalas que os forçam a ficarem mais 12 dias sem saberem o que é descanso -, ver pessoas treinadas para serem robôs e recebendo uma “fabulosa” indenização (salário), no fim de um longo mês de R$400,00 é tão forte quanto qualquer outra afirmação absurda.

Mas não é só com pessimismo que a escritora vê a famigerada profissão, ela também aposta que há uma absorção de pessoas que possivelmente teriam imensas, outras, dificuldades na vida.

“O telemarketing vem mesmo operando um verdadeiro “milagre” de recrutamento de jovens entre as classes baixas. E, como é tudo impessoal ao telefone do jovem-máquina amestrado no arremedo, como ninguém, vê ninguém, o telemarketing conseguiu inclusive a façanha de solucionar o problema da “boa aparência” e do preconceito que operam contra jovens pobres que procuram emprego. O telemarketing aceita com facilidade negros (Cacilda), gays (Teodoro), gordos etc. pelo simples fato de poder ocultá-los da sociedade!(…)”

Penso, eu, que somos culpados por isso também. Assim como reclamamos dos motoqueiros nas ruas, das congestionadas capitais brasileiras, por nos fecharem, levarem nossos retrovisores ou por simplesmente nos ultrapassarem não poderíamos reclamar quando eles atrasam a entrega daquele documento ou simplesmente quando eles demoram um pouco mais para entregarem as pizzas, haveria, aí, dois pesos e duas medidas. No telemarketing é a mesma coisa, pessoas mal remuneradas, não respeitadas e que precisam ter apenas o ensino médio para nos atenderem…

Às vezes penso que as empresas os colocam para nós como, e apenas, “detentos trabalhando para diminuirem suas penas”.

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3 Comentários »

  1. Parabens pelo post, é praticamente o que eu penso desta categoria.
    Há muito comodismo da parte de muitas pessoas que trabalham com telemarketing, se contentam pelo fato de se trabalhar somente 06 ao dia (o que funciona disfarçadamente o fato de trabalhar aos sabados e até mesmos aos domingos).
    Eu sou consultor de atendimento, mas fiquei mais de um ano como teleoperador, vendia um cartão de credito absuvivo, é uma escravidão TOTAL, e é a sobra da sociedade que trabalha na área, sei que é impactante, mas é a crua verdade, lá são aceitos todas etnias (não é preconceito), tem gay e lésbicas…

    Gays e Lesbicas;
    O problema não é a opção sexual, mas sim a postura no trabalho, não é porque é lésbica que trabalhar de regata e tênis, ou não porque é gay que vai usar tiaras cor de rosa combinando com o cinto… falta postura.

    Um ramo que paga muito mal, mas ganha muitoooo dinheiro, mesmo não atingindo as metas propostas pela empresa, há um ganho satisfatorio. Do adianta a empresa contratande pagar R$ 5,000,00 por P.A e pagar ao funcionario R$ 470,00 ??? Mas devido ao comodismo, pessoas se acostumam, já que tem a sua “liberdade”.

    Trabalho digno é quando vocÊ deixa de ser “operador de telemarketing” e passa para um outro ehstagio (de acordo com a sua superação).

    Por Fábio Santos
    (cadê as indicações hein !!!)
    http://fabiosantos.wordpress.com

    Comentário por Fábio Santos — setembro 13, 2008 @ 3:23 pm | Responder

  2. Discordo. Qual é a diferença de um profissional da área de tele-atendimento de um policial? Ou de um cirguião? Ou lixeiro? De um ator, taxista, bombeiro, faxineira, balconista, professor?.. Nenhuma. São todas profissões. Todas tem as suas glórias e fracassos, lutas e angústias… Não vejo nenhuma diferença. Um headset na cabeça com dezenas de ligações em fila, uma arma na mão com infinitos bandidos a solta, uma vida na ponta do bisturi, uma atriz gostosa que tem mal hálito, um congestionamento de 160 km, um incêndio numa floresta… Qual é a difereça? Não veja muitas. “Ossos do ofício”, muitos dirão. Dispor a área de tele-atendimento de forma tão pejoratiza, comparando-a com o universo do crime, é no mínino uma incoerência, uma falta responsabilidade como profissional que é da área de comunição e principalmente, uma falta de respeito… Existem empresas e empresas, pessoas e pessoas, e isso em momento algum foi considerado… Um visão muito particular e um pouco distorcida.

    Comentário por Joe Baloo — setembro 18, 2008 @ 5:02 pm | Responder

  3. Acredito que a maior parte dos trabalhos vc viva num regime de semi-escravidão, cheio de normas e regras, vc pode isso mas não pode aquilo.
    Existem profissões que vc mais parece um preso dentro de uma cadeia do que um colaborador.
    Existem outras tão subumanas que mesmo por 300 ou 500 reais no bolso as pessoas se sujeitam.
    Tá certo que temos que começar por baixo, porém com valorização de pessoas.
    Assim como o telemarketing, na cidade onde moro, possuem muitas fábricas de jóias, semi-jóias e afins, é um apl a cidade, pois concentra-se muitas industrias de micro e pequenos portes, porém, os salários são míseros, eles terceirizam algumas etapas do processo, juntando algumas pessoas em suas residências próprias, para ficar montando peças minúsculas, sem equipamentos necessários, ou sabe-se lá outras condições…
    Eu acho isso um absurdo, mas tem etapas terceirizadas clandestinas na cidade… e outras tantas que funcionam bem porém, pagam-se pouco e a qualificação deste setor é muito baixa.
    Gostei muito do texto, é reflexivo sobre determinados tipos de empregos… parabéns.
    Grande abraço,
    Camila

    Comentário por Camila — setembro 19, 2008 @ 12:34 pm | Responder


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