Senso (in)Comum (…)

junho 6, 2008

Um Olhar Além do “Muro”

Se os Tubarões Fossem Homens

Bertold Brecht

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, iriam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os mais variados tipos de alimento dentro. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morresse antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres têm gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Colocaria na cabeça dos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as goelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma ideologia ali.

Se os tubarões fossem homens, eles pregariam essa ideologia de maneira subjetiva e indutória sem que os peixinhos soubessem como e quando ela começa ou acaba. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Desafio vocês a me dizerem quem são os peixinhos e os tubarões, nessa espécie de alegoria e se conseguem identificar qual a relação entre “civilização no mar” e a divisão social que nos enquadramos… serão vocês capazes?

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maio 2, 2008

Fórum Íntimo de Pensamentos Livres

Filed under: Ótica,Fragmento — Netto @ 5:45 am
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Ter “Fé” é apenas acreditar.
Acreditar é uma das espécies de “Crença”.
E crença, é quase uma “Certeza” para uns e absoluta “Verdade” para outros.

Isso pode ser extremamente perigoso, pois as certezas, as verdades, as convicções podem ser “Cárceres”. É por isso que às vezes entramos gratuitamente em prisões de um imaginário coletivo, que sem razão nos faz “Réus” da nossa própria “Sabedoria”.

Na teoria é fácil. Mas no fundo isso tudo é uma tarefa muito difícil de se entender.

Antes de me ocupar com essas coisas entendi que aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal. Então é melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal…

… é, são sempre esses dois caminhos.

Falando em caminho, aprendi outra coisa: na busca pelos seus sonhos, ideais, planos e desejos não podem haver obstáculos criados por você.

Nesse instante pensei em semear (pois a semeadura é “Livre”) mas lembrei que a colheita é “Obrigatória”. E o que fazer nesses momentos?
Sei lá, apenas comecei. E quando cheguei à metade descobri que chegar até a metade é um bom começo para, no mínimo, enriquecer o pensamento.

Deixava, a partir daí, de ser “Ignorante”.

Comecei a entender que o ignorante afirma, o sábio duvida e o sensato reflete. Contudo, deduzi que o mais esperto de todos é aquele que conhece os limites da própria ignorância e é por isso que eu digo: “Quem melhor conhece a verdade é mais capacitado a mentir”, o que lhes dá, “xucramente”, a sensação de poder.

Quando deixaremos de mentir, de nos enganar, de nos apegar?
Será quando conseguirmos nos desfazer do pensamento?
Será então que a perfeição é o inconsciente?

Eu não quero.

Não posso deixar de pensar.

Eu não quero, não posso deixar de lado a minha imaginação, pois os nossos pensamentos tornam-se nossos sentimentos.

Talvez seja por isso que muitos dos meus pensamentos se tornam “Desejos” e logo depois ficam tão reais… sejam eles sentimentos bons ou ruins.

Será uma vantagem ter péssima memória?

Acho que sim, pois me divirto sempre com as mesmas coisas boas “como se fosse a primeira vez”. Como se os meus problemas não fossem tão reais. Aliás, as figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que a realidade.

Mas não se engane, todos esperam “Bênçãos retroativas”.

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